Re(começar)

“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.” - Caio F. de Abreu

Theme por dilacerar; detalhes de lmthemes. Não copie, não remova isso.



Só você me entende. Só você consegue ler as minhas entrelinhas, o que eu digo com os olhos. Só você interpreta o meu silêncio e decifra os meus códigos. Até quando eu não tenho nada a dizer, você me escuta. Só você.
— Querido John  (via a-m-ar)



Só queria alguem pra conversar :/


O relógio marcava 02:16h da manhã e o telefone toca.

 - Alô?
Silêncio…
 - Alô? Sô, é você?
 - Oi Bê.
 - O que houve?
 - Nada.
 - Sô, te conheço. Fala.
 Ela fica em silêncio até que solta um suspiro e diz:

 - Eu só espero que a partir de agora você me entenda, como eu quero ser entendida. Perdi minha vergonha e meu medo para vir aqui, sem ao menos ter forças para dizer o que vais ouvir agora. Não dê nenhuma palavra, quero que escute. Apenas escute. ” Bernardo, eu te amo. Eu amo mesmo, sabe. Eu amo você, e eu não consigo parar de dizer isso. Eu te amo. Eu quero ser sua para sempre. Quero que acorde e eu seja seu primeiro pensamento. Eu quero músicas nossas, eu quero uma história. Eu não sei porque brigamos sempre, mas quero te pedir perdão por tudo. Pelas vezes que te tratei mal por ciúmes, pelos dias que xinguei por raiva. Pelos dias em que não atendi o celular. Desculpa pela aquela vez que eu disse que amava outro. E que você simplesmente não era nada. Perdão por dizer que você era igual a todos os outros. Desculpe-me. Desculpe-me por todas as vezes que te mandei ir embora. Por não ter cabeça para te ouvir e nem tão pouco te entender. Perdão por não responder suas mensagens e te ignorar sempre que estou perto de outro. Pelas festas que fui sem te avisar e pelos meninos que peguei para te esquecer.
   Ele começa a chorar. Ela o ouve e prossegue. 
 - Perdão por te fazer chorar. Por não lembrar de você. Por ter deixado entrar outra em meu lugar, e o mesmo para ti. Perdão pelos sonhos que não sonhei. Pelas mancadas que dei. Eu sei que não te mereço, e que a unica coisa que eu mereço agora é o seu desprezo. Mas eu te amo Bernardo. Amo como eu nunca pensei que amaria. […] Mas eu quero te agradecer também. Você merece. Obrigada por ter me ajudado quando eu negava a sua ajuda. Por ter me abraçado quando eu dizia sentir frio. Por ter corrido atrás de mim quando eu disse que iria embora. Por ter parado a tua vida pela minha. Obrigada pelas noites que ficou no msn comigo, pelas risadas que me fez dar por suas falhas. Obrigada por ter me dado atenção. Por ter feito carinho. Por ter sonhado comigo. Obrigada pelas manhãs alegres e pelas noites de segredo. Por suas palavras. Por você. - Ele continua a chorar sem dizer nada. Enquanto ela busca forças em algum lugar para continuar a dizer. 
 -  Você é tudo para mim Bê, você realmente é tudo. É o amigo que eu sempre procurei, o namorado que eu sempre desejei. Foi o melhor, infelizmente. Foi o que me ensinou, me segurou. Foi o que me deu equilíbrio. Foi o que me sustentou por diversas vezes. Por muito tempo você me completou. E eu deixei de lado, mas eu quero te pedir perdão. Por tudo. Por todas as minhas babaquices. Por eu ser eu. Eu nunca tentei ser o melhor para você, e sim para as pessoas. Perdão por isso. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. - Ela começa a chorar. 

O silêncio era inevitável, até que ele diz: 
 - Sofia…
 - Oi, Bê. - Diz em soluços.
 - Eu te amo, para sempre.
 - Eu te amo mais. - Respira - Tenho que desligar.
 - Não, não desliga. Por favor.
 - Eu preciso, já tomei seu tempo.
 - Mas antes posso te pedir uma coisa?
 - Sim, anjo. 
 - Aceita se casar comigo? Para amar e respeitar? Para cuidar e entender? Para chorar e rir? Para bater e puxar saco? Nos dias tristes e felizes? Nos bons e ruins? Nos legais e nos chatos? Nos dias fora da rotina? Na saúde e na doença? Na tristeza e na alegria? Na pobreza e na riqueza? - Ele ri.
- Tenho dezesseis anos, não posso casar.
- Não vamos casar, só estamos noivando. - Ele sorri do outro lado da linha.  
- Aceito.
- Abre a porta.  
- O que?
- É, abre.
- Como assim, está ai fora?
- Sim.
- Mas… mas como?
- Eu ia te dizer tudo o que disse para mim hoje, só que você foi mais rápida do que eu.
Ela fica em silêncio.
- Amor?
- Oi, Bê.
- Sério, abre a porta. Fica aqui com seu marido.   ( Júlia. Tua-Idiota. )


“Você me esqueceu” “Eu ia te falar a mesma coisa.”